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Como se recuperar de um divórcio

  • 19 de jul. de 2017
  • 7 min de leitura

Desculpe, confesso que te enganei. Eu não vou te ensinar aqui a fórmula para se recuperar de um divórcio. Foi mesmo uma estratégia para fazer você vir aqui e ler o que eu tenho para te dizer. Como eu sabia que funcionaria? Porque quando eu me separei, essa era a frase que eu digitava manhã, tarde e noite no Google. Eu queria essa resposta. Queria alguém que me ensinasse, que me desse colo. Buscava fórmulas precisas (e mágicas) sobre o que fazer e buscava identificação. Não encontrei :/.

Então, já que consegui te trazer aqui, me dá 5 minutos para eu te falar algumas coisas? Prometo que agora não vou te enganar!

Meu nome é Tabata Pitol, tenho 37 anos, trabalho como jornalista e nunca me defini pela minha profissão. Sempre me defini como esposa do melhor marido do mundo, e mãe dos cachorros mais fofos do mundo. Era essa a frase em todos os meus perfis de redes sociais. E era o que verdadeiramente sentia até que meu marido, que estava ao meu lado há 13 anos, me disse que iria sair de casa. Os motivos eu conto em outro texto, mas o que importa aqui é que meu mundo desabou. Sou uma boa conhecedora do nosso vocabulário, e mesmo assim não consigo achar uma palavra que de fato descreva o horror que senti.

Foram noites sem dormir. Ficava andando - feito louca mesmo - de lá para cá no corredor de 3 metros que tem no meu apartamento (antes era nosso apartamento). Na fase mais crítica - ela não aconteceu logo que ele saiu de casa - foram sete noites e dias inteiros sem dormir e quatro dias e noites inteiros sem colocar nada na boca, nem água.

A ficha demora a cair sabe? Nos primeiros dias eu ainda cozinhava para mim, sentia orgulho de passear sozinha com os dogs e ter conseguido fechar uma revista no exato dia que ele foi embora. Também tive forças para sair e comemorar meu aniversário - minha segunda data favorita do ano, já que a primeira era o aniversário dele - com umas amigas em uma pizzaria. E foi legal.

Dias depois eu não via mais sentindo em viver. Não, nunca quis me matar. Mas queria ficar apenas no meu canto chorando o fato de ter perdido o que eu tinha de mais valioso e precioso na minha vida, não ele, mas a minha familinha - como a chamávamos - a qual eu me dediquei 200 mil por cento.

Eu tenho um cargo importante em uma empresa importante e nunca dei muita bola para isso. Mas quando ele foi convidado a assumir temporariamente um cargo importante em uma empresa importante, me dispus a fazer tudo durante o período de 11 meses (cuidar da casa, comida, finanças, tudo) para que ele conseguisse uma vaga fixa lá. No final desse período ele conseguiu. No final desse período eu me sentia exausta. Mas tinha valido a pena. Era a felicidade dele que importava para mim. Era esse o nível a que eu me entreguei à nossa relação.

Quando ele saiu de casa, ele que era o meu melhor amigo, a pessoa que eu mais amava no mundo - sim, é vergonhoso admitir, mas eu o amava mais do que a mim, meus pais, amigos e parentes - o choro envolvia gritos. Não berros contra ele. Mas um grito animal, primitivo. Eu me sentia um bicho, sentindo a dor mais grave e genuína que alguém pode sentir. Foi no dia 6 de maio que isso aconteceu. No dia 10 minha mãe e meu pai decidiram intervir e me levaram para a casa deles. Os cachorros que tanto amo, meus filhos no sentido literal da palavra, só recebiam comida e mais nada. Eu não conseguia mais dar a eles, e a mim, amor e carinho.

E foi aí que tudo mudou. Talvez seja o tão falado chegar ao fundo do poço para conseguir impulso para voltar. Mas não fiz isso sozinha não. Estar com pessoas que me amavam de verdade - meus pais, minhas amigas que me ajudaram a construir esse projeto lindo que é o Canal Segue o Baile, meus parentes próximos, prima, irmão, cunhada, sobrinho, vó e tia - foi essencial. Vital, eu diria. Mas também foi fundamental ter uma psiquiatra que cobra os olhos da cara mas é extremamente competente, uma terapeuta fofa que sabe o que precisa ser dito e um advogado que entendeu que não se tratava apenas de papeis, mas de uma vida de sonhos destruída.

4 meses depois

Hoje, quatro meses depois, eu estou imensamente melhor. Sei que parece pouco tempo, e realmente é, mas tive uma rede de apoio incrível, 24 horas por dia, que foi fundamental. Assim como foi fundamental a aceitação. Nada melhorou enquanto eu não aceitei que precisava de ajuda, que precisava que alguém me guiasse e que aquele capitulo da minha vida tinha acabado. Tanto que hoje até já consigo ver coisas que melhoraram depois da separação, como escrevi nesse texto aqui: AS COISAS QUE GANHEI

E porque eu estou contando tudo isso? Porque quando eu me separei, como se recuperar de um divórcio era a frase que eu digitava manhã, tarde e noite no Google. Eu queria muito achar alguém que me dissesse: tá doendo, parece que não vai passar, mas vai. E você vai ser feliz de novo. Vai parecer que não, mas vai sim acontecer. Um dia, o primeiro pensamento do seu dia não será mais ele. E nem o último. Você também não pensará nele o dia inteiro, e vai parar de perguntar porque isso aconteceu. E um dia você vai se pegar sorrindo de algo, e vai se culpar. Afinal você deveria estar triste pois perdeu tudo o que de fato importava, não é mesmo? Não, não é. O riso vai ficar mais frequente, até que alguém vai te dizer: "a senhora está muito risonha para quem acabou de se divorciar". Você vai então parar, olhar para a pessoa e rir mais ainda. Eu não achei alguém que me dissesse isso, mas estou aqui te dizendo tudo isso.

Não vai ser fácil, não mesmo (eu disse que não ia mais te enganar), mas é absolutamente possível. Vai acontecer, eu te garanto (lembra? Não estou mentindo).

A ideia do Canal Segue o Baile surgiu de uma conversa entre amigas, e eu a agarrei com unhas e dentes. Sabia o quão importante seria ter um lugar onde encontrar respostas.

Então aqui vão elas. A fórmula precisa de como superar o divórcio eu realmente não sei, mas sim, eu sei o que vai te ajudar muito:

  • Aceitar: não precisa achar que o fim é para sempre (a verdade é que não sabemos o que acontecerá no próximo segundo), mas aceite que aquela vida que você conhecia - com suas rotinas, delícias e dissabores - chegou ao fim. Pode até ser que no futuro vocês construam uma nova história juntos, mas essa acabou;

  • Ter uma rede de apoio, 24 horas: se deixe ser cuidada. Deixe sua mãe fazer seu prato favorito, sua avó fazer aquele bolo cheio de açúcar que adoça a vida. Deixe suas amigas te abraçarem, carregarem suas coisas e te levarem para comer, mesmo se você não for comer. Tenha uma terapeuta a quem você possa mandar um whatsapp, a qualquer hora do dia e da noite, e que te responda, por menor que pareça ser a “besteira”que está te afligindo. Só você sabe o que te dói, e quanto te dói. Não se julgue, nem diminua seus sentimentos. Tenha uma psiquiatra que olhe para você. Que queira saber o que está na sua cabeça. Que fique 1h30 em consulta com você e te dignostique corretamente. Infelizmente elas são caras e não estão no plano de saúde, mas mudam a sua vida;

  • Ter (desenvolver ou redescobrir) amor próprio: seja benevolente com você. Não se maltrate, a vida já fez isso com você. Não se julgue, não se diminua, não se culpe. Não personalize o fato. Não foi culpa sua. Não foi culpa dele. É apenas a vida seguindo seu caminho;

  • Não ter contato: enquanto eu quis ver como ele estava (via rede sociais) e quis ligar e trocar mensagens para sentir que ele ainda estava perto, tudo era péssimo, triste e dolorido. Quando bloqueei tudo referente a ele, a dor foi amenizando;

  • Não ter crenças limitantes: quando você acredita que determinada coisa não vai acontecer, é muito provável que não aconteça mesmo. Sei, porque vivi isso, que a gente pensa: nunca mais eu poderei ser feliz. Nesse momento, pense em seguida: bom, se aquela menina Tabata, do canal lá conseguiu, eu também vou;

  • Cuidar de você: se trate como você trataria a pessoa que você mais ama no mundo se ela estivesse passando por um momento de grande dor;

  • Não tenha medo: uma das piores coisas que poderiam acontecer, aconteceu não é mesmo? Então no deixe de fazer nada por medo. Se joga;

  • Se descobrir: o que te faz feliz e você nem sabe?;

  • Respeitar seus sentimentos: não há problema algum em parar tudo para chorar. Assim como não há problema se você quiser gargalhar. Não tenha medo de dizer não e sim de acordo com o que está sentindo. É normal que suas amigas queiram te tirar de casa para você não ficar deprimida. Mas não há problema em querer ficar sozinha curtindo aquela tristezinha que surgiu. Não se entregue a tristeza. Se force a fazer o que gosta, mas quando não der, diga não sem medo. É preciso reagir, a mudança só acontece se você quiser, mas mascarar tudo que se sente vai fazer com que algumas coisas não sejam bem digeridas.

É difícil, eu sei. A dor vem em ondas. Um dia você está muito bem, no outro está muito mal. Minha psiquiatra me disse que sou muito intensa, e por isso, para mim, tudo vem em grandes ondas. Então te digo: você vai sentir a maior dor do mundo, mas também vai ser capaz de sentir novamente a maior felicidade do mundo. E ó: eu não estou mentindo!

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