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Minha vida pela janela

  • 5 de nov. de 2017
  • 2 min de leitura

O dia já não tinha sido dos melhores. Saí de casa feliz. Mas logo cedo as notícias já tinham me irritado. Sabe aquelas minúsculas pendências que ainda surgem após alguns meses da separação? Você achando que está tudo resolvido, seguindo lindamente seu baile, e aí volta uma sensação gigante de decepção, de sério que isto está acontecendo, e porque ele está fazendo isso comigo ???

Pois bem. Volto para a casa e minha mãe avisa que está no hospital com a minha tia. Bronco pneumonia. Vai ter que ficar internada. Passa uma, duas, três horas e resolvo ir ficar com a minha mãe. “Venha, ela já subiu para o quarto. Ficamos aqui um pouco e vamos embora”. Hospital x, certo? Pergunto. Não, é no y, ela responde.

O coração gela. Não quero ir mais. Mas não posso voltar agora. Rezo para o quarto ser de frente para a rua. Não é. O ser que toma essas decisões deve ser bem sarcástico: da janela do quarto dela tenho uma vista panorâmica do apartamento do meu ex-marido.

Não vejo mais de 5 segundos antes de começar a chorar e minha mãe sair correndo para fechar. Não vi nada na verdade. Mas isso era o de menos. Não precisava ver. Era apenas saber que, ao alcance dos meus olhos estava a pessoa que eu mais amei na vida. Ao alcance dos meus olhos o apartamento onde estivemos juntos nos últimos dias da nossa história. Ao alcance dos meus olhos o quarto onde hoje ele dorme com outra. Ao alcance dos meus olhos o ap que já foi da minha ex-sogra. Ao alcance dos meus olhos uma casa que ele mobiliou sem minha ajuda. Ao alcance dos meus olhos a concretização do meu maior sofrimento: ele vivendo longe de mim.

Ao alcance das minhas memórias o dia que visitei aquele apartamento. O dia que a tia dele fechou a compra e comemoramos. A vez que roubamos a chave e ficamos horas namorando em um apartamento totalmente vazio e escuro. Ao alcance da minha memória as estantes que carregamos para cima e que depois voltaram para baixo. Os azulejos antigos, a cafeteira que já foi minha.

Baixando um pouquinho mais os olhos, a casa atual da minha ex-sogra. A casa que foi meu primeiro ap com ele. Pintamos tudo aquilo junto. Planejamos cada canto. Trocamos os espelhinhos, matamos as baratas. Compramos espelhos, cama, sofá e TV. Erramos a cor do quarto. Renovamos o guarda-roupa. Trocamos de sofá. Tínhamos uma mesa de sinuca, que também servia para o jantar. Tivemos nosso primeiro filho. E o segundo. Théo e Lino. Eram dogs, é verdade. mas nem por isso eram menos filhos. Crescemos. Compramos nosso próprio ap. Saímos de lá.

Que doído vislumbrar uma vida que tanto amei por 5 segundos de um quarto de hospital. O número do quarto? 317. O 17 do meu aniversário, do dele, e do nosso casamento…


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